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NOTA INFORMATIVA - A ESCALADA DE UM GOLPE DE ESTADO NA BOLÍVIA

Na última quarta-feira (26/06), o comandante geral do Exército Boliviano, Juan José Zúñiga, liderou a escalada de um golpe de Estado na Bolívia após alguns dias de tensões e ameaças ao governo de Luis Arce e ao ex-presidente Evo Morales. 

Durante a tarde de quarta-feira, Zúñiga liderou uma mobilização militar e invadiu a Plaza Murillo, onde está localizado o Parlamento. Em um pronunciamento no local, o comandante declarou que não respeitaria as ordens do presidente e assumiria os poderes Executivo e Legislativo, configurando uma clara tentativa de golpe de Estado e um ataque ao sistema democrático. 

Nos dias anteriores à invasão, uma sequência de acontecimentos entre Zúñiga e o governo, como denúncias ao presidente eleito e a ameaça de prisão do ex-presidente, culminou em sua destituição do cargo durante a semana.



O Presidente Luis Alberto Arce Catacora ordena - como chefe do Estado Plurinacional da Bolívia - que o comandante deposto Juan José Zúñiga a retirar as Forças Armadas do local. Imagem: reprodução/ Bolivision


Informações recentes relatam que Zúñiga deixou a Plaza Murillo no final da tarde do dia 26, após o anúncio dos novos nomes para a chefia das forças armadas. No entanto, é evidente que uma tensão entre as forças militares e o atual governo foi efetivamente instalada, assim como mais uma ameaça de golpe em um país atravessado por um intenso histórico de tentativas de desestabilização da democracia. 

Organizações sindicais, como a Confederação Sindical da Bolívia e a Central Obrera Boliviana, anunciaram a mobilização de trabalhadores e de movimentos sociais na implementação de uma greve geral e no bloqueio de estradas contra o golpe militar em andamento, algo que Evo Morales havia convocado anteriormente em suas redes sociais. 

Dado a grave conjuntura, não é possível acreditar que a situação foi solucionada e que Zúñiga não tentará uma nova mobilização contra a ordem constitucional, sendo de extrema importância a vigilância, sobretudo da comunidade internacional. Luis Almagro, atual Secretário-Geral da Organização dos Estados Americanos (OEA), juntou-se a líderes mundiais e demonstrou consternação após o ocorrido, reiterando o compromisso da organização com a manutenção da ordem constitucional.

No final da noite de quarta-feira, Juan José Zúñiga foi preso pela polícia e uma ordem do procurador-geral da Bolívia determinou a criação de uma comissão que ficará responsável pela investigação das ações militares desenvolvidas ao longo do dia. Também é importante ressaltar a rápida mobilização popular e seu repúdio à tentativa de golpe no país, que assim como em 2019, durante o golpe que culminou na renúncia de Evo Morales, foi essencial para a defesa da democracia boliviana. 

Antes de finalizarmos essa nota informativa, é importante mencionar, mesmo que brevemente, a possível conexão entre o incidente e o interesse dos Estados Unidos e de grandes empresários, como o Elon Musk, nas reservas estatais de lítio do país. Essa hipótese ganha relevância ao considerarmos o histórico de intervenções/participações norte-americanas em golpes de Estado em diversos outros territórios da América Latina, incluindo a própria Bolívia em 2019, onde o interesse pelo lítio também estava presente. Isso ressalta a necessidade do acompanhamento de outros atores para além de Zúñiga e as forças de segurança nacionais. 


Anghel Valente Guimarães, Isadora Borba Paes e Rafaela De Negri


26 de Junho de 2024


Observatório de Conflitualidades em Políticas Sociais e Ambientais na América Latina e Caribe


Imagem: reprodução/ Bolivision

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